A Oceania vai tremer: Whittaker e Adesanya decidem campeão único dos pesos-médios no UFC 243

Se Las Vegas é a Meca do MMA, pode-se dizer que Melbourne é a terra das surpresas. Recebendo o UFC pela quarta vez das 15 em que o evento desembarcou na Austrália, a cidade terá, pela segunda vez, uma disputa de cinturão. Após o UFC 193, quando Holly Holm chocou o mundo ao nocautear Ronda Rousey – falaremos disso mais pra frente – a organização chega para mais uma disputa de título ao Marvel Stadium. desta vez, pondo frente a frente nada menos que dois campeões identificados com a Oceania: o australiano Robert Whittaker, campeão linear dos pesos-médios (20 vitórias e quatro derrotas, invicto há nove lutas), enfrentará o nigeriano radicado na Nova Zelândia, Israel Adesanya, campeão interino da divisão (invicto em 17 lutas como profissional, sendo seis pelo UFC) na unificação dos títulos. A luta, tida como a maior da história do continente, e que promete abalar não só o país dos cangurus como toda a Oceania. Isso se Robert Whittaker não aprontar uma nova surpresa. Por que nova? Vamos relembrar.

Serviço do UFC 243

Neste sábado, a partir de 19h30 (de Brasília), começa a transmissão ao vivo do UFC 243, direto de Melbourne, na Austrália. Enquanto o Combate e o Combate Play transmitem o card na íntegra e com exclusividade, o SporTV 3 e o Combate.com exibem as duas primeiras lutas ao vivo em vídeo. O site acompanha todo o card em Tempo Real.

Em fevereiro deste ano, no UFC 234, Robert Whittaker poria seu cinturão em jogo contra Kelvin Gastelum na mítica Rod Laver Arena, palco do Aberto da Austrália de tênis – um dos quatro Grand Slams do esporte. Quando parecia que tudo estava pronto, um dia antes do combate, o campeão teve de ser levado às pressas para o hospital, com uma hérnia no abdômen. Mesmo querendo lutar, o australiano foi impedido pelos médicos, e submetido a uma cirurgia de emergência. Sem sua luta principal, a organização recorreu a Anderson Silva e Israel Adesanya.

Israel Adesanya e Anderson Silva fizeram a luta principal do UFC 234 — Foto: Getty Images

Israel Adesanya e Anderson Silva fizeram a luta principal do UFC 234 

Os dois concordaram em fazer o evento principal, desde que em três rounds, e não em cinco, como é a regra das lutas principais. Com a vitória sobre o Spider, Adesanya credenciou-se a disputar o cinturão interino contra Gastelum dois meses depois. O nigeriano venceu o americano em uma luta histórica no UFC 236, ficando com o cinturão e, mais do que isso, com a garantia de que enfrentaria Whittaker em seu próximo compromisso.

Israel Adesanya venceu Kelvin Gastelum no UFC 236 e se tornou campeão interino dos pesos-médios — Foto: Getty Images

Israel Adesanya venceu Kelvin Gastelum no UFC 236 e se tornou campeão interino dos pesos-médios

Esquadrão com Bulldoguinho e Dhiego Lima

Os dois únicos representantes do Esquadrão Brasileiro no UFC 243 são Bruno Bulldoguinho e Dhiego Lima. Estreante no evento, o peso-galo paulista treina com Henry Cejudo, campeão peso-mosca e peso-galo da organização. Com um cartel de 13 vitórias e duas derrotas, o peso-galo encara o alemão de origem libanesa Khalid Taha. Integrante do TUF Brasil 4, no qual foi derrotado nas quartas-de-final por Dileno Lopes, Bulldoguinho teve a luta contra Taha alterada do UFC 242, em Abu Dhabi, para o evento deste sábado, em Melbourne. Vindo de duas vitórias seguidas no torneio “World Fighting Federation”, o brasileiro encara um adversário conhecido pelo poder de nocaute. Khalid Taha tem 13 vitórias e duas derrotas no cartel, sendo nove dessas vitórias por nocaute e duas por finalização.

Bruno Bulldoguinho com Henry Cejudo — Foto: Acervo Pessoal

Bruno Bulldoguinho com Henry Cejudo 

Já Dhiego Lima pode se considerar um veterano do UFC. Em sua segunda passagem pelo evento, o peso-meio-médio brasileiro enfrentará o neozelandês Luke Jumeau. Vindo pela primeira vez de duas vitórias consecutivas na organização, o goiano radicado nos EUA busca subir na categoria, e terá pela frente um adversário que, se não luta há 19 meses – sua última apresentação aconteceu no UFC 221, em fevereiro de 2018, quando venceu o japonês Daichi Abe por pontos – é completo, tendo cinco vitórias por nocaute e quatro por finalização das 13 que tem como profissional.

Dhiego Lima tenta emplacar sua terceira vitória consecutiva no UFC — Foto: Evelyn Rodrigues

Dhiego Lima tenta emplacar sua terceira vitória consecutiva no UFC

Você sabia…

…que Robert Whittaker bate no peito em ritmos diferentes quando vai para as suas lutas para homenagear seu filho e seu pai? As batidas mais leves representam o coração do filho, e as mais fortes, o do pai, que sempre o acompanha em suas lutas.

Robert Whittaker e a batida no peito, sua marca registrada no UFC — Foto: Getty Images

Robert Whittaker e a batida no peito, sua marca registrada no UFC 

...que a luta favorita de Israel Adesanya é a primeira entre Anderson Silva e Chael Sonnen, no UFC 117? O nigeriano estava fora de casa na hora da luta e dirigiu horas até chegar ao seu apartamento, sem se informar de nada, para torcer pelo VT e se emocionar ao ver a vitória do brasileiro como se fosse ao vivo.

…que Israel Adesanya e Khabib Nurmagomedov são os dois únicos campeões do UFC ainda invictos na carreira?

…que Megan Anderson, que chegou ao UFC para ser a grande rival de Cris Cyborg no peso-pena, venceu apenas uma de suas três lutas? A australiana derrotou Cat Zingano após acertar um chute alto e sua unha cortar a pálpebra da rival, impossibilitando-a de continuar.

…que o UFC 243 marca a quarta vez que a organização faz um evento em Melbourne? Sydney é a cidade australiana que mais recebeu UFCs, com cinco torneios. Melbourne é a capital da diversidade australiana, e seus habitantes se orgulham de terem origens diversas e de todo o planeta.

…que Israel Adesanya é o 17º de 18 atletas que já foram campeões interinos na história do UFC? Entre eles estão nomes como Randy Couture, Rodrigo Minotauro, Georges St-Pierre, José Aldo, Jon Jones e… Robert Whittaker.

Retrospecto brasileiro na Austrália

Os lutadores brasileiros têm um retrospecto levemente negativo em eventos realizados na Austrália. Das 24 lutas que fizeram em 11 torneios no país, foram 11 vitórias e 13 derrotas. Os eventos em que os brasileiros se saíram melhor foram o UFC Cigano x Tuivasa, em 2018 (três vitórias em três lutas) e o UFC Hunt x Pezão, em 2013 (três vitórias em cinco lutas). Já o pior desempenho dos brasileiros aconteceu justamente no último realizado no país: o UFC 234, em 2019. Foram quatro derrotas em quatro lutas.

Junior Cigano nocauteou Tai Tuivasa no UFC Adelaide — Foto: Getty Images

Junior Cigano nocauteou Tai Tuivasa no UFC Adelaide 

Aussie! Aussie! Aussie! Oi! Oi! Oi!

Se tem evento na Oceania, não tem jeito: os australianos Jake Matthews, Nadia Kassem e Tai Tuivasa estão no card. Das 12 lutas que tem no UFC, já contando o UFC 243, Matthews fez nada menos que oito na Austrália, uma na Nova Zelândia, uma em Cingapura e apenas uma nos EUA. Nadia Kassem lutou três vezes no UFC – todas na Austrália. E Tuivasa apresentou-se seis vezes no UFC, sendo quatro no seu país de origem.

Jake Matthews fez oito de suas 12 lutas no UFC na Austrália — Foto: Getty Images

Jake Matthews fez oito de suas 12 lutas no UFC na Austrália 

Austrália é o quinto maior destino do UFC

Sede de 15 eventos do UFC, já contando o UFC 243, a Austrália é o quinto país com maior número de edições do evento em seu território. Apenas os EUA (332), Brasil (35), Canadá (31) e Reino Unido (24) receberam mais edições do torneio que os australianos até hoje.

Marvel Stadium, em Melbourne, tem o recorde de público do UFC: 56.214 espectadores — Foto: Getty Images

Marvel Stadium, em Melbourne, tem o recorde de público do UFC: 56.214 espectadores 

Goleada australiana no card

Não é de surpreender que, em um evento realizado na Austrália, o UFC valorize os atletas do país e escale um bom número de lutadores da região. No UFC 243 não foi diferente. Ao todo, 11 dos 22 atletas que se apresentarão no torneio são da Austrália ou da Nova Zelândia. Os donos da casa, claro, são maioria, com oito representantes. Os neozelandeses terão três atletas para quem torcer. Brasil e EUA estarão com dois lutadores cada. O único confronto em que não haverá um australiano ou um neozelandês acontece na luta de abertura do evento, entre Khalid Taha e Bruno Bulldoguinho.

Robert Whittaker lidera o exército australiano no UFC 243 — Foto: Getty Images

Robert Whittaker lidera o exército australiano no UFC 243 

No total, 11 países serão representados no octógono em Melbourne. Destaque para o peso-pesado Yorgan DeCastro, primeiro atleta de Cabo Verde a fazer parte do UFC.

Austrália (8) – Robert Whittaker, Tai Tuivasa, Justin Tafa, Jake Matthews, Callan Potter, Jamie Mullarkey, Megan Anderson e Nadia Kassem
Nova Zelândia (3) – Dan Hooker, Luke Jumeau e Brad Riddell
Brasil (2) – Dhiego Lima e Bruno Bulldoguinho
EUA (2) – Al Iaquinta e Maki Pitolo
Nigéria (1) – Israel Adesanya
Cabo Verde (1) – Yorgan DeCastro
Suécia (1) – Rostem Akman
França (1) – Zarah Fairn dos Santos
Coréia do Sul (1) – Ji Yeon Kim
Alemanha (1) – Khalid Taha
Ucrânia (1) – Sergey Spivak

Holly Holm escreve seu nome na história

Holly Holm nocauteia Ronda Rousey no UFC 193 — Foto: Getty Images

Holly Holm nocauteia Ronda Rousey no UFC 193 

Escalada para enfrentar Raquel Pennington, a peso-galo Holly Holm teve de deixar o UFC 243 por conta de uma lesão. A ausência da americana foi muito sentida pelos fãs australianos, especialmente os que testemunharam uma das maiores zebras da história dos esportes. No mesmo Marvel Stadium, em Melbourne, Holm nocauteou de forma devastadora a até ali invencível Ronda Rousey, na maior vitória de sua carreira. A data era 15 de novembro de 2015. O evento, o UFC 193. Com todo o cenário montado para que Rousey defendesse o seu cinturão mais uma vez, Holm mostrou uma estratégia perfeita, velocidade e contundência diante de uma Ronda mal-treinada e super-confiante. O nocaute no segundo round, com um chute alto na cabeça da então campeã, abalou o mundo do MMA, e rendeu a Holm o cinturão do peso-galo em um evento testemunhado no Marvel Stadium por nada menos que 56.214 espectadores – recorde de público do UFC.

Brasil “gabarita” UFC em Adelaide

No melhor desempenho de atletas brasileiros em um UFC realizado terras australianas, Junior Cigano, Maurício Shogun e Wilson Reis saíram vitoriosos do octógono diante, respectivamente, de Tai Tuivasa, Tyson Pedro e Ben Nguyen. Tidos como azarões pelos fãs e apostadores, Cigano e Shogun tinham pela frente nomes populares e em ascensão na organização. O peso-pesado Tai Tuivasa vinha de oito vitórias em oito lutas como profissional, sendo sete por nocaute. Já o meio-pesado Tyson Pedro vinha de derrota para Ovince St. Preux, mas tinha um cartel de sete vitórias e duas derrotas. Cigano e Shogun eram vistos como veteranos que, se fossem vencidos, impulsionariam as carreiras dos australianos para patamares mais altos no UFC. Infelizmente (para eles) não foi o que aconteceu. Já Wilson Reis e Ben Nguyen fariam uma luta sem favoritismos declarados, mas o brasileiro vinha de três derrotas e precisava voltar a vencer para não correr o risco de demissão.

UFC 243
5 de outubro, em Melbourne (AUS)
CARD PRINCIPAL (23h, horário de Brasília):
Peso-médio: Robert Whittaker x Israel Adesanya
Peso-leve: Al Iaquinta x Dan Hooker
Peso-pesado: Tai Tuivasa x Sergey Spivak
Peso-meio-médio: Luke Jumeau x Dhiego Lima
Peso-pesado: Justin Tafa x Yorgan DeCastro
CARD PRELIMINAR (20h, horário de Brasília):
Peso-meio-médio: Jake Matthews x Rostem Akman
Peso-meio-médio: Callan Potter x Maki Pitolo
Peso-pena: Megan Anderson x Zarah Fairn dos Santos
Peso-leve: Jamie Mullarkey x Brad Riddell
Peso-mosca: Nadia Kassem x Ji Yeon Kim
Peso-galo: Khalid Taha x Bruno Bulldoguinho

Fonte: Combate