Ônibus de Teresina

Após 36 dias, terminou a greve dos motoristas e cobradores de ônibus em Teresina, Piauí.

A decisão de suspender o movimento paredista aconteceu na tarde desta segunda-feira, 15 de março de 2021, após audiência pública realizada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

A frota de ônibus deve voltar a circular imediatamente na capital piauiense.

Foram diversas mesas de negociações e conversas entre empresários e os trabalhadores, ms somente hoje se chegou a um entendimento.

O Tribunal propôs a suspensão da greve e trégua por 90 dias para verificar o cenário do sistema enquanto se buscam soluções.

Além disso, ficou decidido que serão pagos os salários atrasados de janeiro.

O vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Teresina (SETUT), Marcelino Lopes, agradeceu pelo entendimento entre as partes, ressaltando o esforço do setor empresarial para o funcionamento pleno do sistema de transporte.

“Agradecemos pela intervenção do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para com as negociações entre empresas e o Sintetro, a fim de que a greve fosse interrompida, e nos comprometemos a cumprir o acordo aceito pela entidade. Reiteramos que o SETUT sempre esteve em busca, prioritariamente, da manutenção dos postos de trabalho e, consequente, sobrevivência do sistema. E que seguirá mantendo efetivamente a prestação de serviços para sociedade teresinense”, disse o vice-presidente do SETUT.

Como mostrou o Diário do Transporte no dia 05 de março, o vice-presidente do Setut revelou que os empresários aceitaram proposta feita pela prefeitura da capital piauiense de quitação da dívida acumulada até setembro de 2020.

A declaração foi feita em coletiva, da qual o Diário participou.

Segundo Marcelino Lopes, por contrato a prefeitura deveria pagar a diferença entre a tarifa técnica (quanto custa para operar o sistema) e a tarifa pública, aquela que o usuário efetivamente paga. Por este cálculo, a dívida acumulada com as empresas alcançou R$ 20 milhões, que deveriam ser pagos em 10 parcelas de R$ 10 milhões, aproximadamente.

Na proposta apresentada pela prefeitura no dia 1º de março, e aceita pelo Setut, a dívida será paga com uma entrada inicial de R$ 1,6 milhão e 20 parcelas mensais de R$ 970 mil. Myrian Aguiar, assessora do Setut, fez questão de lembrar que o pagamento da dívida da prefeitura com as empresas de ônibus, que agora foi finalmente equacionada, refere-se, no entanto, somente até setembro de 2020. “A prefeitura precisa pagar a dívida referente aos meses que se seguiram, de outubro de 2020 até hoje, e esta é outra questão que terá de ser resolvida”, Myrian disse.

Marcelino saudou a notícia do acordo selado entre prefeitura e Setut para socorrer o transporte da capital, mas lamentou na ocasião que o sindicato dos motoristas ainda se recusava a participar da solução.

Com o encontro de hoje, o sistema de transporte de Teresina volta a funcionar, e prefeitura, empresários e trabalhadores ganham uma trégua para equacionar outras soluções para a crise.

"Com as informações do Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes