Bolsonaro ficou mais de dois meses internado; episódio aumento a sua popularidade

Neste domingo, 6, completou dois anos desde que o presidente Jair Bolsonaro levou uma facada de Adélio Bispo na cidade mineira de Juiz de Fora, Minas Gerais, na campanha de 2018.

Nas redes sociais, Bolsonaro agradeceu “ao Senhor por sua vida”, aos profissionais de saúde da Santa Casa de Juiz de Fora e do Hospital Albert Einstein e “a todos que oraram”, além do “Brasil, por continuar livre e sendo a terra mais maravilhosa do mundo”. Seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), também relembrou a data. “Graças a Deus e à ajuda de muitas pessoas, como médicos, enfermeiros, PF e anônimos ele sobreviveu. Mas as respostas ainda não apareceram. QUEM MANDOU MATAR JAIR BOLSONARO?”, escreveu.

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Relembre

Bolsonaro ficou mais de dois meses internado após levar a facada. O ferimento gerou uma lesão na artéria mesentérica, que conduz sangue ao intestino. A previsão é que deixasse antes o hospital, mas uma infecção bacteriana, diagnosticada após a retirada do cateter que estava no braço do presidente, adiou a sua saída. Ele começou o tratamento na Santa Casa de Misericórdia em Juiz de Fora e, quando seu quadro ficou mais estável, foi transferido ao Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Segundo especialistas, a ausência de sangue na roupa de Bolsonaro assim que foi esfaqueado não é incomum, devido à região em que o parlamentar foi atingido, onde ficam vasos sanguíneos internos.

No primeiro vídeo em que o presidente apareceu falando depois do atentado, ele disse que ficou “muito preocupado” quando o ataque ocorreu porque “parecia que tinha algo mais grave acontecendo”. “Estava tava muito preocupado porque parecia uma pancada na boca do estômago, mas já levei uma bolada no futebol. A dor é insuportável. E parecia que tinha algo mais grave acontecendo”, disse. “Eu me preparava para um momento como esse porque você corre riscos. Mas, de vez em quando, a gente duvida, né?! Será que o ser humano é tão mau assim? Nunca fiz mal a ninguém”, afirmou.

Em junho do ano passado, a Justiça absolveu Adélio pela facada. A decisão foi proferida após o processo criminal que o considerou inimputável por transtorno mental e determinou que ele ficasse internado em um manicômio judiciário por tempo indeterminado. No entanto, o autor do atentado contra Bolsonaro permaneceu no presídio federal de Campo Grande, onde está preso desde o crime. A Polícia Federal concluiu, no segundo inquérito sobre o caso, que Adélio agiu sozinho e não teve mandantes. Ainda segundo as investigações, não foram comprovadas a participação de agremiações partidárias, facções criminosas, grupos terroristas ou mesmo paramilitares seja na cogitação, preparação ou execução do crime.

Todo o material apreendido com Adélio Bispo foi investigado minunciosamente. São eles: computador portátil, aparelhos celulares e documentos. No total foram analisados 2 terabytes de arquivos de imagens, 350 horas de vídeo, 600 documentos e 700 gigabytes de volume de dados de mídia, além de 1.200 fotos e 40 mil e-mails recebidos e enviados em contas registradas em seu nome. Foram ouvidas no inquérito 102 pessoas em campo e 89 testemunhas, o que resultou na elaboração de 23 laudos periciais elaborados. Sigilos fiscais, bancários e telefônicos do acusado foram quebrados, além de diligências de busca e apreensão.

Bolsonaro chegou a dizer, em dezembro de 2019,  que um de seus mais próximos assessores durante a campanha eleitoral planejou seu assassinato. Segundo ele, que não citou nomes ou mostrou provas sobre a acusação, o objetivo desse assessor era ser vice-presidente. “O meu sentimento é que esse atentado teve a mão de 70% da esquerda, 20% de quem estava do meu lado e 10% de outros interesses. Tinha uma pessoa do meu lado que queria ser vice. O cara detonava todas as pessoas com quem eu conversava. Liguei para convidar o Mourão às 5 da manhã do dia em que terminava o prazo de inscrição. Se ele não tivesse atendido, o vice seria essa pessoa. Depois disso, eu passei a valer alguns milhões deitado”, declarou.

A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que, por falta de segurança e estrutura em Juiz de Fora, Adélio vai continuar preso na penitenciária federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. A decisão foi tomada em julgamento sobre o conflito de competência entre as duas jurisdições. Enquanto a 5ª Vara Federal Criminal de Campo Grande pede que Adélio seja mandado de volta a Minas Gerais, onde aconteceu o atentado e correu o processo, a Justiça mineira alega falta de vagas no Hospital Psiquiátrico Judiciário Jorge Vaz, o único no Estado. A 3ª Vara Federal de Juiz de Fora informou que há uma fila de 427 pessoas para internação na instituição. Segundo o juízo, seria ‘temerário’ internar Adélio Bispo em um hospital sem estrutura para garantir a segurança adequada, o que justificaria a permanência na penitenciária de Campo Grande.

*Com as informações do Jovem Pan