O empresário Oderman Bittencourt, dono da Leites Delta, uma das maiores empresas laticínios do estado, teria implorado para fazer o uso de cloroquina, momentos antes de morrer vítima de coronavírus.

Teresina prevenida

É o que conta em um suposto áudio atribuído a ele, que se espalhou via redes sociais.

No áudio, a voz aparece com dificuldade para respirar e praticamente implorando para utilizar o medicamento cloroquina. Demonstra uma certa revolta porque precisaria esperar até que o exame confirmasse “positivo” para coronavirus para que começasse a usar a medicação, conforme orienta o protocolo do Ministério da Saúde.

Uma fonte da matéria e pessoas bem próximas a Oderman garantem que a voz é mesmo dele e que foi um familiar bem próximo quem teria espalhado o áudio. A reportagem entrou em contato com a SESAPI (Secretaria Estadual de Saúde), que inicialmente informou que seria fake, mas depois confirmou que a voz pode mesmo ser do empresário. Ele teria enviado a alguém antes de ser intubado.

Uma nota deve ser enviada pela SESAPI ainda nesta terça-feira (31/03) sobre o assunto. O suposto áudio atribuído ao empresário se espalhou por alguns grupos de Whatsapp. A  reportagem  tentou contato com familiares, com assessoria e com pessoas que trabalham na empresa Leites Delta, em Parnaíba (cidade onde morava Oderman), mas ninguém quis se pronunciar até o fechamento da matéria.

Ouça o áudio que foi atribuído ao empresário:

 

CLOROQUINA E HIDROXICLOROQUINA

Cloroquina (e hidroxicloroquina) é um medicamento antimalária que tem sido utilizado para tratar alguns pacientes com Covid-19. Tem sido amplamente defendido pelo presidente, Jair Bolsonaro como a “cura” para a doença. No entanto, a falta de estudos com resultados mais contundentes sobre os benefícios da droga, faz com que a decisão divida especialistas. Comumente usadas no tratamento de malária e doenças autoimunes, como lúpus, tem dado certo em alguns casos contra o covid-19. Contudo, a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o protocolo impõe outras experiências para conceder aval definitivo ao par de drogas. A coordenadora de ciência, tecnologia e inovação da Sociedade Brasileira de Cardiologia divulgou uma nota informando que essas medicações devem ser tomadas com controle, por conta dos efeitos colaterais, como arritmia e problemas visuais.

CONFIRA NOTA DA SESAPI

O Instituto de Doenças Tropicais Natan Portela esclarece que o paciente Oderman Bittencourt foi atendido pela primeira vez na unidade de saúde no sábado (20/03/2020), mas o mesmo não tinha indicação clínica e nem tinha interesse em permanecer no ambiente hospitalar.Na tarde de terça-feira (24/03/2020) foi atendido novamente no hospital, com queixa de falta de ar (dispnéia), porém sem sinais de gravidade ou instabilidade clínica (pressão, pulsos e oximetria normais) sendo então internado com todas as medidas clínicas cabíveis aos pacientes sintomáticos respiratórios com investigação de SRAG.

Durante a noite o paciente apresentou quadro de ansiedade importante e pico hipertensivo (referindo vontade de utilizar o medicamente cloroquina devido a notas sobre o mesmo na imprensa) sendo avaliado pela médica plantonista e devidamente medicado com melhora clínica.Dia 25/03/2020 o paciente foi reavaliado pela médica assistente que detectou piora do padrão respiratório e solicitou avaliação do médico intensivista que prontamente admitiu o paciente na UTI do Hospital com todos os cuidados intensivos necessários, incluindo o uso do esquema com cloroquina.

O uso da medicação para casos de COVID-19 veio a ser regulamentado pelo Ministério da Saúde através da nota informativa nº5 apenas em 27/03/2020 aonde é explícito que a indicação deverá ser realizada para pacientes GRAVES hospitalizados com dados de avaliação muito específicos, compatíveis com as características do paciente APENAS quando foi admitido em UTI.

É imprescindível esclarecer à população que o trabalho amplamente difundido sobre o uso da cloroquina apresenta sérias limitações metodológicas e, segundo a própria ANVISA o uso indevido da cloroquina pode trazer sérias complicações à população como, por exemplo: distúrbios do sangue e do sistema linfático, distúrbios do sistema imune, distúrbios de metabolismo e nutrição, distúrbios psiquiátricos, distúrbios do sistema nervoso, distúrbios oculares, e até mesmo distúrbios cardíacos que podem resultar em insuficiência cardíaca e em alguns casos podem ser fatais.

Fonte/oitomeia