Segundo os pesquisadores, não foi possível encontrar nem mesmo microrganismos nas águas quentes, hiperácidas e hipersalinas dos lagos da região. López Garcia, líder do projeto, explicou que a constatação foi feita após análises realizadas em laboratórios.

“Após analisar mais amostras do que em estudos anteriores, com condições adequadas de controle para que a gente não as contaminasse, e usando metodologias bem calibradas, verificamos que não existe nenhuma vida microbial nesses lagos quentes, salgados e hiperácidos, e nem nos lagos adjacentes, que são ricos em magnésio”, explicou.

“O que existe é uma grande quantidade de arqueas halófilas (um tipo primitivo de microrganismo) no deserto e nos canyons próximos ao local em que estão as fontes geotérmicas, mas nenhum foi encontrado nos lagos hiperácidos e hipersalinos mesmo com a intensa dispersão de microrganismos na área em decorrência da presença de humanos e do vento.”

O estudo ajuda a estabelecer os limites da habitabilidade e indica que é preciso ter cautela na hora de interpretar assinaturas biológicas e morfológicas da Terra e de outros planetas.

Além disso, ele também apresenta evidências de que existem lugares na Terra que são “estéreis” mesmo que contenham água, assim como evidencia que a existência de água em um planeta, critério que é frequentemente usado para analisar a habitabilidade, não necessariamente significa que existe vida.

“Não esperamos encontrar formas de vida em ambientes semelhantes em outros planetas, pelo menos não com base em uma bioquímica semelhante a bioquímica terrestre”, afirmou López Garcia.

Fonte: UOL (Editado por Ascom)