Presidente nacional do Progressistas, senador Ciro Nogueira/Foto: Agencia Senado

O presidente nacional do Progressistas, senador Ciro Nogueira, critica a possibilidade de lockdown no Piauí.

No final de semana, foram adotadas medidas restritivas e toque de recolher até o dia 04. Aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Ciro afirma que o governo federal fez repasses de verbas para o Piauí, que estão sendo mal gerenciadas pelo governo do Estado.

Segundo ele, o governo do Piauí é rico de caixa e pobre de ação. Ele afirma que o lockdown penaliza a população e prejudica a economia.

O senador, que será candidato a governador em 2022, afirma que a pandemia tem sido usada de forma política.

Veja nota do senador: 

Piauí: governo rico de caixa, pobre de ações

Desde o primeiro momento, eu denunciei que a destrambelhada iniciativa do governo do Estado de decretar o lockdown era uma punição ao povo do Piauí, um exemplo de falta de gestão e uma decisão errada do governador Wellington Dias. Agora, para que não reste mais nenhuma dúvida, nada melhor do que os números dos repasses oficiais do governo federal para a saúde e para o enfrentamento à pandemia da Covid-19 para comprovar que o lockdown no Piauí é pior ainda do que todos imaginávamos.

O governo está usando uma tragédia humanitária como instrumento político para fazer uma cortina de fumaça e esconder seus erros administrativos e o mais grave: o governo do Piauí está usando o lockdown para desviar o foco e a atenção dos piauienses para uma das mais perversas políticas públicas engendradas por qualquer governo em qualquer momento de nossa História. Enquanto alardeia o caos e, com isso, apavora a população, paralisa a economia, destrói a vitalidade do comércio, mutila milhares de empregos, prejudica o dia a dia e a normalidade de estudantes e empreendedores, pais de família, o governo faz isso tudo ao mesmo tempo em que entope seu caixa de recursos como nunca antes na história deste estado.

Aos números: em 2020, segundo o Portal da Transparência (dados de 15 de janeiro deste ano), o Piauí recebeu 19 bilhões de reais de recursos federais, seja através de repasses para a saúde e outros ou suspensão/renegociação de dívidas.  Só de auxílio assistencial foram R$ 5,7 bilhões. Ou seja, o problema da pandemia nunca foi a falta de recursos para o Piauí. Foi e continua sendo a falta de competência e de gestão.

O governo do Piauí tem recebido todo o apoio do governo federal, mas não tem feito a sua parte. Qual seja, montar hospitais de campanha, leitos, UTIs adicionais. Dinheiro para isso? Tem de sobra! Mas o governo tem adotado uma política (genocida?) de abarrotar o seu caixa, talvez com objetivos eleitoreiros com vistas às eleições de 2022, enquanto a pandemia grassa e o governador coloca a culpa no governo federal por tudo.

Do ponto de vista político, por mais hedionda que uma estratégia fria e calculista como essa possa ser, não há como deixar de reconhecer o alto grau de maquiavelismo e matreirice que essa forma possui para alcançar objetivos eleitorais e confundir o povo.

Mas do ponto do vista ético e humanitário, fazer a opção pelo caixa em detrimento da vida das pessoas, dos irmãos e irmãs do Piauí – e além disso criar uma narrativa deliberadamente falsa de jogar a culpa justamente no governo federal que está ajudando o Estado como nunca antes – é uma atitude mesquinha e nefasta. Um verdadeiro estelionato que seria só político se não significasse a morte de pessoas.

O lockdown no Piauí não é só um castigo para o povo. É um dos capítulos mais tristes de nossa História, de quando um governo usou uma calamidade pública para fazer caixa eleitoral, para encobrir seus próprios erros e incompetências, para desviar a atenção e culpar o governo federal por todos os leitos e vagas de UTI que, mesmo tendo dinheiro em abundância, o governo do Piauí não fez ou não quis ou não soube fazer. O lockdown é a história de um governo rico de caixa e pobre de ações. Enquanto isso, as mortes aumentam e o drama da pandemia no Piauí se alastra e a politicagem governa o nosso estado. Muito triste.

SENADOR CIRO NOGUEIRA

*Com as informações do Lídia Brito Cidade Verde