Com apenas 233 votos, candidata de AL recebeu R$ 450 mil para fazer campanha

Segundo levantamento feito pela Folha de SP, Tida do Brejinho recebeu R$ 100 mil de Claudemir Lins França, advogado de Marx Beltrão

Tida do Brejinho foi candidata a deputada federal pelo PS

Concorrendo a uma vaga como deputada federal por Alagoas, Tida do Brejinho faz parte de uma extensa lista de candidatos com dados curiosos. São pessoas que receberam grande quantidade de dinheiro para a campanha, mas saíram dela com péssimos resultados. Tida, por exemplo, recebeu R$ 450 mil e teve 233 votos.

De acordo com levantamento feito pelo jornal Folha de São Paulo, o segundo maior fornecedor da candidata, com um repasse de R$ 100 mil, foi Claudemir Lins França, advogado do deputado federal Marx Beltrão (PSD). Em contato com a publicação, o PSD do Estado informou que a distribuição dos recursos seguiu critérios legais.

O partido ressaltou ainda que Tida do Brejinho foi a única mulher a concorrer para o Congresso e recebeu o equivalente a 30% dos recursos destinados pelo PSD a candidatos no Estado.

Além dela, a Folha traz uma série de casos parecidos. Segundo o jornal, candidatos com votações inexpressivas receberam ao menos R$ 15 milhões em dinheiro público dos fundos partidário e eleitoral. O levantamento mostra que 53 postulantes de 14 partidos receberam mais de R$ 100 mil, mas conseguiram menos de mil votos. Os casos são mais comuns no Pros, PRB, PR, PSD e MDB.

Deste total, 49 são mulheres, o que, de acordo com a reportagem, reforçaria a suspeita de que elas estariam sendo usadas como laranjas, já que a lei eleitoral obriga que pelo menos 30% dos recursos dos fundos partidário e eleitoral sejam investidos em candidaturas femininas.

A situação é semelhante à de Maria de Lourdes Paixão, secretária administrativa do PSL de Pernambuco que recebeu R$ 400 mil para a campanha. Ela, porém, teve apenas 273 votos. A revelação do caso e de outras candidatas laranjas do PSL também em Minas Geraido gerou uma crise no governo Bolsonaro. A Polícia Federal abriu investigação.

Outros casos

Outro caso que chama atenção é o de Débora Ribeiro (Pros-CE), candidata a deputada estadual e cunhada do deputado federal Vaidon Oliveira (Pros-CE). Com os R$ 274 mil da campanha, ela contratou 122 pessoas, que receberam entre R$ 300 e R$ 10 mil, mas teve 47 votos.

Nenhum deles veio de Sobral, de onde é boa parte dos funcionários supostamente contratados e onde Vaidon teve 3.020 votos. Dono de uma pizzaria, Jorgelandio Mesquita disse à Folha não ter participado da campanha, mas ter recebido dinheiro por um serviço feito pelo pai. “Ele fez transporte de eleitores no dia da votação”, afirmou.

Em outros estados, como foi o caso de Alagoas, Tida do Brejinho e Claudemir Lins França – advogado de Marx Beltrão (PSD) -, candidatas repassaram parte do montante recebido para fornecedores que costumam prestar serviços a deputados que disputavam a reeleição.

O levantamento feito pela reportagem revela ainda em alguns casos o dinheiro foi diretamente repassado para o candidato mais forte. Sônia de Fátima Silva Alves repassou 16% do arrecadado para a campanha do deputado federal Alan Rick (DEM). Em 2018, ela teve o voto mais caro do Brasil: cada um custou R$ 46 mil para os cofres públicos.

Fonte: Gazeta web