Imagem da agressão a nossa atmosfera

Da China à Itália, muitos países colocaram em quarentena populações inteiras para conter o Covid-19. Um efeito foi o recuo drástico da poluição global, algo que pode acabar por salvar vidas.

No meio de incerteza e da situação de pânico gerados pela pandemia do Covid-19, o novo coronavírus acabou por produzir alguns efeitos positivos graças à paralisação das indústrias e redução do trânsito.

Imagens de satélites captadas de janeiro a março pela Agência Espacial Europeia (ESA) e pela sua contrapartida norte-americana NASA mostram uma redução drástica das emissões de dióxido de nitrogénio (NO2). Uma das regiões onde o efeito é mais visível é o norte da Itália.

O NO2 é emitido para atmosfera principalmente pela combustão de veículos e fábricas, com uma incidência especialmente forte na China, mas também outros grandes polos industriais. A redução dos voos domésticos na Europa também resultaram na redução em 25% das emissões de gás carbónico (CO2) desde meados de fevereiro.

Resultados positivos das medidas de contenção

Imagens satélite da agência espacial europea ESA mostram a diminuição da poluição na Itália

Segundo Claus Zehner, diretor da missão Copernicus Sentinel-5P da ESA, as restrições de circulação e a paralisação das atividades industriais revelam a possibilidade de reduzir a poluição.

“Embora possa haver pequenas variações nos dados devido à cobertura de nuvens e às mudanças climáticas, estamos muito confiantes de que a redução nas emissões que podemos ver coincide com o bloqueio na Itália, causando menos tráfego e atividades industriais”, afirma o gerente da missão.

Os bloqueios na Itália foram impostos como medidas de emergência para conter a propagação do coronavírus. Este resultado positivo visível – também na China – dos planos de contenção poderá vir a repetir-se noutros países que já adotaram ou vão adotar as restrições drásticas.

Em Veneza a falta de turistas e a quarentena geral deixou as águas mais cristalinas

Salvar vidas

Mais de 220 mil pessoas em todo o mundo foram infetadas com o novo coronavírus, com cerca de nove mil mortes já registadas.

Também na China a quarentena obrigatória permitiu mais do que o controle da propagação do vírus. Segundo um estudo publicado pelo pesquisador Marshall Burke da Universidade de Standford, nos Estados Unidos da América, as restrições podem salvar vidas por meio da redução da poluição ambiental.

Os últimos dois meses de redução da poluição, “provavelmente salvaram a vida de 4.000 crianças com menos de cinco [anos] e 73.000 adultos com mais de 70 anos na China”, escreveu Burke no blogue Global Food, Environment e Economic Dynamics.

Fonte/DW