A execução do plano de mobilidade de Teresina e a implantação do Inthegra tem dividido os teresinenses. Há quem defenda as mudanças e há quem resista, principalmente, pela imposição da mudança de hábitos.

Av. do Dirceu

Mudanças essas necessárias no processo de transformação da cidade.

Hoje, no Dirceu, comerciantes saíram às ruas para protestar contra a implantação dos corredores exclusivos na Avenida José Francisco de Almeida Neto, a conhecida “Avenida Principal do Dirceu”. A alegação é que o novo sistema impede o estacionamento na via, dificultando a aproximação de clientes o que, consequentemente, estaria afetando o desempenho dos negócios.

Não entraremos aqui no mérito da crise econômica que tem levado ao fechamento de muitas empresas e ao desemprego que atinge mais de 12 milhões de pessoas no Brasil.

Foquemos na concepção de que a cidade é feita para pessoas. Apesar de aceitável a reivindicação dos comerciantes da região, que são empregadores, é preciso, como a própria classe diz, se colocar no lugar do outro. No lugar de quem depende de transporte público e precisa que ele funcione de forma eficiente.

Uma realidade que já pode ser comprovada. Desde que foi implantada, em 2017, a faixa exclusiva permitiu a redução de tempo em torno de 10 minutos na operação dos ônibus que circulam na região. Segundo a Strans, cerca de 40 mil veículos passam pelos dois sentidos da via, em especial após a inauguração da ponte Alcelmo Dias.

Até o ocorrência de acidentes na via reduziu.

Acontece que, segundo a Strans, muitos dos veículos que antes eram – e ainda são – estacionados na avenida, pertencem aos próprios comerciantes, que chegam cedo e ocupam as vagas durante todo o horário comercial, atrapalhando a fluidez do trânsito.

“Mas onde meu cliente vai estacionar?”, é a pergunta recorrente.

As vias laterais à avenida principal foram todas asfaltadas pela prefeitura, permitindo o estacionamento dos empresários, funcionários e clientes. Opção viável, que não atrapalha o tráfego na Avenida Principal e ainda reduz os riscos de acidentes.

Outro ponto precisa ser considerado. A frota de veículos na capital cresce. E cresce muito. Em dez anos, o aumento foi de mais de 200%. São quase 500 mil veículos hoje circulando em Teresina. Querer que as regras do jogo se mantenham as mesmas é querer que o camelo passe pelo fundo da agulha.

Além disso, sob tanto alarde, as razões eleitorais não podem ser ignoradas, considerando a proximidade do pleito que definirá a sucessão municipal.

Não há outro caminho senão o do diálogo. Mas só senta à mesa para o debate quem está disposto a ceder.

E como diria Albert Einstein: “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.

Com as informações do Portal 180 Graus.