Reprodução FONTE: R7 e G1

Uma brincadeira que viralizou entre jovens em vídeos nas redes sociais nos últimos dias tem potencial para terminar de maneira trágica.

Em novembro de 2019, uma adolescente de 16 anos morreu em Mossoró, Oeste do Rio Grande do Norte, depois de bater a cabeça enquanto participava da brincadeira na Escola Municipal Antônio Fagundes.
PERIGOS DO DESAFIO
Em alguns vídeos já divulgados nas redes sociais, o “desafio da rasteira” ou “desafio do quebra-crânio”, consiste em derrubar uma pessoa enquanto ela pula. Em outros vídeos, a brincadeira é a chamada “roleta humana”, envolve três pessoas – uma delas é girada para trás pelos outros colegas.
Em um dos vídeos já reproduzido pela página do “EmFoco” no Facebook, o da rasteira, as três alunas que aparecem são do Colégio Marista de Natal-RN. Segundo a vice-diretora educacional da instituição, Ilce Mara da Silva, a escola tomou conhecimento do fato e adotou nesta terça-feira (11) “medidas preventivas”.
“Dialogamos, conversamos, explicamos os riscos, junto com a família delas. São ótimas alunas, mas que agiram na impulsividade. Além desse episódio em específico, também adotamos medidas preventivas educativas durante todo o ano”, afirma.
A prática preocupa pais e professores, com razão, afirma a médica pediatra Loretta Campos, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria.
“A brincadeira oferece muito perigo porque ficam duas pessoas de lado, falam para a pessoa pular e dão uma rasteira. Ou seja, a pessoa pegou impulso, tirou o equilíbrio do chão e cai com o peso do corpo dela totalmente no chão.”
Loretta acrescenta que a queda pode levar a fraturas das vértebras, inclusive com lesão cervical, e traumatismo craniano.
“Pode causar um desmaio, como até vimos em vídeos que circulam na internet, mas pode causar também um edema [inchaço] cerebral e até mesmo morte cerebral.”
Até mesmo uma superfície macia, como um tapete, oferece risco, segundo a especialista.
“Se cair de mau jeito e lesionar a [coluna] pode ficar tetraplégico”, médica.
A pediatra ressalta a importância de os pais conversarem com os filhos e mostrarem os perigos desse tipo de desafio.
“Brincadeiras de cambalhota ou de queda no ar são bem perigosas. O jovem tem muito aquele comportamento de grupo, um vai incentivando o outro. Como foi em rede social, as pessoas começam a replicar. Vira aquele comportamento que dissemina rapidamente, viraliza”, diz a pediatra.
GAROTA MORREU EM ESCOLA DE MOSORÓ
Em novembro do ano passado, a estudante Emanuela Medeiros, de 16 anos, morreu depois de bater a cabeça no chão ao cair durante uma brincadeira na Escola Municipal Antônio Fagundes, em Mossoró. A garota sofreu traumatismo craniano e ainda foi socorrida pela direção da instituição e levada ao hospital. Mas não resistiu.
De acordo com a prima da vítima, a estudante participava de uma brincadeira com outras duas pessoas que a seguraram e tentaram girá-la, como uma espécie de cambalhota. Durante o giro, ela caiu e bateu a cabeça no chão. Emanuela era aluna do nono ano.
Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Mossoró, a Secretaria de Educação promoveu uma reunião ainda em 2019 para orientar professores e gestores sobre “brincadeiras inadequadas” e que colocam em risco a vida dos alunos.
Neste ano será realizado mais um encontro com os diretores de escolas e unidades de educação, antes do início das aulas, em que esse tema será discutido e reforçado. Nesta quarta (12), na abertura da jornada pedagógica, ainda de acordo com a assessoria, o assunto também será pauta, inclusive com vídeos alertando sobre os perigos.


Redação Manchete Net/ R7 e G1/phbwebcidade