O desembargador do TRT Marcos Pinto da Cruz chega à sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Preso nesta terça-feira, dia 2, como um dos líderes de um esquema de cobrança de propinas em troca de decisões favoráveis no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Rio, o desembargador Marcos Pinto da Cruz dizia ser um “soldado” do governador afastado Wilson Witzel.

A afirmação foi feita em uma troca de mensagens localizada pelo Ministério Público Federal (MPF) no celular do desembargador, apreendido na operação Tris In Idem, em agosto do ano passado.

O diálogo ocorreu no dia 19 de maio. Após uma entrevista concedida pelo governador à CNN, Pinto da Cruz enviou mensagens a Witzel elogiando sua participação. “Amigo, quero te ver. Vamos aliviar um pouco a cabeça? Beber um vinho?” escreveu Marcos. Witzel sugeriu um encontro no dia seguinte, e o desembargador respondeu: “Vc (sic) manda. Dia e hora. Sou seu soldado”, completou.

Para o MPF, o diálogo mostra uma relação íntima entre Witzel, ex-juiz federal. Além do diálogo, foram incluídas na denúncia registros de entrada de Marcos Pinto da Cruz no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador, em duas ocasiões no mês de outubro de 2019. O desembargador também participaria de encontros semanais no Palácio Guanabara, segundo relato do ex-secretário estadual de Saúde Edmar Santos.

Advogado de Witzel foi preso

De acordo com as investigações, Witzel colocou o advogado Manoel Peixinho, também preso na mesma operação, para organizar um esquema de pagamento de propinas em troca da inclusão da Organização Social Pró-Saúde no plano de execução de dívidas trabalhistas. Pelo acordo, a Organização receberia pagamentos atrasados do governo, que também assumiria as dívidas trabalhistas do grupo.

Peixinho foi o advogado de Witzel junto à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) na primeira fase do processo de impeachment, entre maio e setembro de 2020. A entrada do advogado na operação teria acontecido após o então secretário de Saúde Edmar Santos não ter conseguido operacionalizar os acordos, depois da desistência do grupo do Pastor Everaldo de participar do esquema.

Segundo a investigação, o Governo do Estado teria pago R$ 752 mil aos advogados da Organização Social Pró-Saúde a título de honorários advocatícios pelo ingresso no plano de execução de dívidas trabalhistas. A esposa de Peixinho, Suzani Andrade Ferraro, atuou como advogada da Organização ao lado de Eduarda Pinto da Cruz, irmã do desembargador preso. Todos foram presos nesta terça-feira.

Sérgio Riera, advogado do desembargador Marcos Pinto da Cruz, disse que “não havia necessidade de prisão de seu cliente” e que ainda não teve acesso ao inquérito que o levou à prisão.

Procurado, Wilson Witzel não retornou o contato.

*Com as informações do Extra.Globo