“Mas o tempo, o tempo caleja a sensibilidade”. (Machado de Assis)


Uns ganchos aguardavam suas vezes na prateleira.
Um homem precisou deles para afixar um comedouro para os passarinhos no portão de sua casa.

Tendo adquirido os dois de que precisava, furou o primeiro no caibro com uma máquina e rosqueou. Ficou perfeito. Furou e afixou o outro. Ficou aparentemente perfeito. Pendurou a casinha com o comedouro e fotografou.
Antes de afixar definitivamente a casinha, decidiu retocar o segundo gancho, girando-o de um lado para o outro.
Foi então que o gancho se rompeu. Parte ficou na mão do homem e parte permaneceu dentro da madeira. O único jeito foi furar e rosquear dois outros ganchos em outra posição.
Não era de aço bom o gancho? Era.
Mas se rompeu.
Somos como ganchos, bem feitos com um propósito.
Ao longo da vida, somos torcidos como os ganchos. Resistimos a pesos e pressões elevados.
Podemos permanecer firmes ou nos romper.
Algumas vezes, não resistimos e nos rompemos quando nos apertam, nos movem, nos ajustam, nos forçam.
O gancho quebrado nos lembra que temos limites que não podem ser desrespeitados.
As pessoas com as quais lidamos não são suficientemente resistentes para suportar a todos os pesos que queremos que carreguem.
Devemos respeitar os nossos limites e os limites dos outros, quando queremos fazer coisas boas para nós e para eles.

Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; ficamos perplexos, porém não desanimados; somos perseguidos, porém não abandonados; somos derrubados, porém não destruídos”. (2Coríntios 4.7-9)

Israel Belo é pastor da Igreja Batista Itacuruçá, na Tijuca, Rio de Janeiro, graduado em Teologia e Comunicação, pós-graduado em História, mestre em Teologia e doutor em Filosofia.

Com as informações Pleno News