Presidente falou ao Estado de S. Paulo

Durante viagem à Bahia, o presidente Jair Bolsonaro disse ao jornal O Estado de S.Paulo que os governadores do nordeste agem para “dividir o país”, enquanto ele trabalha para unir. A entrevista foi publicada nesta terça-feira (06/08).

Questionado sobre a comoção causada por alguma das suas declarações mais recentes, respondeu: “Paciência. Já sabiam que eu era assim. A gente procura se polir um pouco mais, mas acontece”. E defendeu o uso ocasional de palavras de baixo calão: “Palavrão sai de vez em quando, isso é natural, pô”.

O presidente também defendeu a indicação de Eduardo Bolsonaro para o cargo de embaixador do Brasil em Washington, nos Estados Unidos, questionou dados de desmate, criticou a esquerda e comentou relações do governo com o Judiciário e com a União Europeia. Eis os destaques da entrevista:

Indicação de Eduardo – Bolsonaro afirmou que, por Eduardo Bolsonaro ser seu filho, ele foi “bombardeado” por críticas pela possibilidade de indicação ao cargo de embaixador. Defendeu a indicação do filho citando comentários positivos feitos a seu respeito pelo presidente norte-americano, Donald Trump. “Quer referência melhor que essa?”, questionou.

Desmatamento na Amazônia sobre os dados que mostram aumento de 40% no desmate da região, e se há interesse estrangeiro nas informações divulgadas, disse: “Tinham interesse por essa área antes do Brasil ser descoberto”. “É a área mais rica do mundo, sem comentários”, completou. Também afirmou que a esquerda “usa as minorias para atingir seu objetivo”, que não há “benefício nenhum” nas políticas de cotas, e que “usam o índio, usam o negro, usam a comunidade LGBT para atingir seus objetivos. Usam o povo do Nordeste muitas vezes”.

Relações com Poderes defendeu o respeito mútuo entre os 3 Poderes, dando como exemplo o ministro Dias Toffoli, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal). “Ele é o chefe do Poder Judiciário. E tem de ter respeito e consideração por parte do chefe do Executivo. E vou tratá-lo com todo respeito e consideração, não interessa o que seja discutido lá dentro do Supremo. O que por ventura eu não goste, sou obrigado democraticamente a aceitar”, disse. Sobre o Congresso, brincou que a relação“continua com muito amor e carinho”.

Indicação da PGR afirmou que a próxima escolha para o comando da PGR (Procuradoria-Geral da República), é uma decisão pessoal. Não quero “um cara que fique lá só preocupado de forma xiita com questão ambiental ou de minoria. Quero uma pessoa que vá ao Parlamento e converse comigo”, disse.

Vaza Jato o presidente reafirmou apoio ao ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) no vazamento de mensagens dele e de procuradores da Lava Jato.“É fazer justiça, não é proteção”, disse. Bolsonaro comparou a divulgação das mensagens com o roubo de um carro e a receptação do valor da venda. “Quem recebe algo que foi recebido de forma criminosa, como os dados dos telefones, está praticando receptação também”, afirmou.

Mercosul e União Europeia questionado se o acordo entre os blocos foi a maior conquista de seu governo, Bolsonaro disse que o governo de Michel Temer deu um bom passo na evolução do acordo e “nós simplesmente fechamos”. “Foi feito um acordo entre nós, como reduzir imposto por parte deles para não perder competitividade. E esse acordo abre espaço enorme para o comércio com a Europa”. Bolsonaro ainda defendeu que virá um mercado consumidor “enorme”, com influência de países de fora do bloco, como Japão e Coreia do Sul. “Temos 25% do PIB pela frente”. “O Brasil ganha”, concluiu

Fonte: Portal Poder360