Júlio Arcoverde sobre operação contra Ciro Nogueira: “É espetacularização”

Casa do senador piauiense foi alvo de busca e apreensão autorizada pelo Supremo Tribunal Federal

O presidente estadual do Progressistas, Júlio Arcoverde, reclamou da forma como se deu a operação da Polícia Federal deflagrada nesta sexta-feira (22/02), que teve como alvo o senador piauiense Ciro Nogueira.

“É a espetacularização do processo criminal. É a única coisa que a gente pode dizer. Como é que se invade a casa de um senador de três em três meses?”, reclamou.

Júlio conversou com a imprensa durante a solenidade de sua posse na Secretaria Municipal de Esporte e Lazer de Teresina, o que demanda licença do mandato na Assembleia Legislativa do Piauí. Aos jornalistas, apontou que antes da eleição tentou-se “criar fato político” contra o senador, quando outra operação cumpriu mandatos contra Ciro.

“Infelizmente nós estamos passando por isso no país. Tenho certeza que o senador Ciro, os advogados, nunca deixaram de comparecer quando foram intimados. Não precisa, no meu entendimento, invadir de três em três meses a casa de um senador. Estão rasgando a constituição. Até gente na casa do senador antes da polícia chegar, já esperando”, comentou.

Segundo Júlio, Ciro está em viagem e a sua esposa, a deputada federal Iracema Portella, está em Brasília. “Ele já tinha viagem marcada, estive quarta-feira com ele em Brasília, mas a Justiça está aí, acho que não precisava ter esse espetáculo todo”, reforçou o agora secretário da PMT.

Sobre a operação

A Operação Compensação, deflagrada a pedido da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, cumpriu 7 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador Ciro no Piauí, São Paulo e Brasília. Em Teresina, sua residência na zona Leste foi invadida pelos policiais, e empresas de sua propriedade também foram alvos da ação.

As denúncias contra o senador que deflagraram esta operação foram feitas por colaboradores do Grupo J&F, que afirmam ter repassado R$ 43 milhões ao Progressistas, em espécie e em doações oficiais, através do senador, em troca de apoio político na campanha de 2014, à campanha presidencial de Dilma Rousseff.

No pedido de investigação, a procuradora-geral Raquel Dodge diz que as vantagens direcionadas ao PP eram para que o partido apoiasse o governo nas eleições e, mais na frente, também “não agisse contra” a então presidente alvo de um processo de impeachment.

Nota da defesa

A defesa do senador Ciro, através do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay (foto abaixo), se manifestou ao site G1 apontando a operação como espetáculo. Diz que tal “constrangimento” poderia ser evitado com a intimação do senador e que o material hoje apreendido foi recentemente restituído pelo STF.

“A Defesa do Senador Ciro Nogueira vem denunciar, mais uma vez, o direito penal do espetáculo. O que está sendo apreendido nesta busca e apreensão é o que foi recentemente restituído pelo Supremo Tribunal em virtude de outra operação que não resultou em Ação Penal , o Supremo rejeitou a Denúncia,pois baseada tão somente na palavra de outro delator. Tal constrangimento poderia ser evitado com a simples intimação do Senador para prestar esclarecimento pois , é evidente, este sempre se colocou à disposição do Poder Judiciário”, diz a nota.