Foto divulgações Cidade verde

Uma médica plantonista foi agredida a socos por um filho de um paciente que apresentava sintomas compatíveis com a Covid-19.

O caso ocorreu neste fim de semana, no Hospital Regional Leônidas Melo, na cidade de Barras,  interior do Piauí. A profissional de saúde teve hematomas no braço e registrou boletim de ocorrência.

Laianne Santos, diretora geral da unidade de saúde, explica que a agressão teve início porque o filho do paciente não aceitou o diagnóstico da médica. O idoso chegou ao hospital com falta de ar.

“Pela suspeita da doença, o idoso tinha que ficar em uma ala exclusiva para esses casos, mas o filho disse que não admitia que o pai ficasse sozinho. Então, ele falou que ia transferí-lo para um hospital particular e quando a médica foi tirar a cópia do prontuário, para liberar a saída do paciente, foi agredida a socos e insultada com palavras de baixo calão. A Polícia Militar foi acionada e encaminhou o agressor para a delegacia de Barras, onde foi registrado o boletim de ocorrência”, conta a diretora geral do hospital.

Neste domingo (10), a médica agredida foi submetida a exame de corpo de delito. Ela vai ficar afastada pelos próximos dias.

“Essa é a terceira vez que médica e outros colaboradores são agredidos física ou verbalmente no exercício da função. Nosso repúdio enquanto gestão e estamos com ela que vai ficar afastada pelo menos por sete dias. Imagina o trauma psicológico que está sofrendo”, pontua Santos.

Ela acredita que as agressões não foram piores porque o esposo da médica estava no hospital e interveio na situação. Afastada há 70 dias de casa e da família, a diretora geral do hospital- que é fisioterapeuta- crê que a médica foi agredida por ser mulher.

“Eu, como mulher, já passei por inúmeras situações. Infelizmente, alguns acreditam que somos sexo frágil e quando veem mulheres em cargos ou setores de maior importância, se acham no direito de usar a força física e verbal e não vamos admitir isso”, disse Santos.

“Enquanto profisssional, mulher e pessoa estou triste.  Há 70 dias estou em Barras sem ver meus pais, minha família. Vejo a dedicação de todos os profissionais, desde médicos, enfermeiros,  técnicos que também estão na linha de frente, se arriscando, e algumas pessoas de fora parecem não entender tudo o que a gente abdica por eles e para eles. Me coloco no lugar da nossa colega que trabalha conosco há quase quatro anos e sofreu essa agressão”, acrescenta Laianne Santos.

Após a agressão, uma campanha será desenvolvida nas redes sociais do hospital pedindo respeito.

O caso foi comunicado também ao Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI) que enviou nota de repúdio.

“Atitudes dessa natureza são vigorosamente repudiadas por este Conselho Regional de Medicina que zela pela proteção e segurança dos profissionais médicos, estando atentos às suas necessidade e anseio. Nesse sentido, fica o alerta à direção dos estabelecimentos de saúde para que promovam todas as medidas indispensáveis a assegurar que os profissionais médicos possam exercer seu ofício sem pertubações desta e de outras ordens“, informou trecho da nota assinada pela presidente do CRM-PI, Mírian Perpétua Palha Dias Parente.

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NOTA DE REPÚDIO O CRM-PI vem a público REPUDIAR a situação causada por acompanhante de paciente no Hospital Regional Leônidas Melos, na cidade de Barras-PI. Por volta das 21h35, do dia 09.05.2020, a médica, Dra. Nereida Carla Veras e Silva, encontrava-se cumprindo seu plantão no referido hospital, quando um paciente, que estava dessaturando (queda do nível de oxigenação do sangue) em domicílio, foi admitido no hospital e encaminhado à área de atendimento aos pacientes com suspeita de COVID-19, já que estava dispneico (dificuldade de respirar). Não concordando com a conduta médica, o acompanhante (filho do paciente) questionou o motivo do encaminhamento, ao que a médica informou que se tratava do protocolo inicial quando os pacientes apresentam sintomas de dispneia, tosse, febre, sendo levados para avaliação nessa área específica do hospital. Ainda assim, o acompanhante irritou-se e queria levar o prontuário do paciente, tendo a médica orientado a solicitar uma cópia via protocolo, orientação confirmada pelo setor administrativo do hospital. Inconformado com a informação recebida, o acompanhante exigiu que a médica registrasse, na ficha do paciente, o diagnóstico de COVID-19, o que foi recusado pela Dra. Nereida, uma vez que o paciente estava em observação, não tinha o diagnóstico fechado via testes, seus sinais e sintomas estavam monitorizados e o teste para COVID-19 seria solicitado. Mesmo recebendo todas as explicações, o filho do paciente agrediu física e verbalmente a Dra. Nereida, desrespeitando-a durante o pleno exercício da profissão. Atitudes dessa natureza são vigorosamente repudiadas por este Conselho Regional de Medicina, que zela pela proteção e segurança dos profissionais médicos, estando atento às suas necessidades e anseios. Nesse sentido, fica o alerta à direção dos estabelecimentos de saúde para que promovam todas as medidas indispensáveis a assegurar que os profissionais médicos possam exercer seu ofício sem perturbações desta e de outras ordens. (Ver nota na íntegra no anexo)

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*Com as informações Cidade Verde