Até agora, 85% das doses de vacinas contra a Covid-19 ministradas entre os chilenos são da CoronaVac e 15% da Pfizer

Mesmo com uma das campanhas de vacinação mais aceleradas do mundo, o Chile continua registrando alto número de casos da Covid-19. A média de novas contaminações diárias no país é maior, inclusive, que a do Brasil.

Dados da plataforma Our World in Data do dia 5 de junho mostram que o país já tem mais de 44% da população imunizada com duas doses da vacina. No Brasil, na mesma data, esse índice estava em 10,75%. Apesar disso, o país vizinho tem um número maior de novos contágios. Por lá, foram registrados, em média, 378 novos casos diários por milhão de habitantes na semana anterior, enquanto em território brasileiro a taxa é de 292 por milhão. A comparação também pode ser feita com Estados Unidos e Reino Unido, que têm índices de vacinação semelhantes aos do Chile. No Reino Unido, a média de novos casos diários em 5 de junho era de a 64 para um milhão de pessoas e nos Estados Unidos estava em 44 , números bem abaixo dos 378 contágios na população chilena. O infectologista Renato Kfouri explica que apesar de ainda ter alto índice de transmissão, o país vivencia uma redução significativa nos casos graves da doença, que é o principal objetivo das vacinas.

“O número de infectados continua crescendo, porém com redução no número de hospitalizações e mortes. Isso só mostra que embora a vacinação seja utilizada em larga escala, as medidas de controle, distanciamento e máscara, precisam continuar”, afirmou. Uma das principais diferenças do Chile para outros países e que pode ajudar a explicar o quadro ruim, mesmo com a imunização em estágio avançado, é a alta dependência da CoronaVac – que tem eficácia menor do que outros imunizantes. Até agora, 85% das doses ministradas entre os chilenos são da CoronaVac e 15% da Pfizer. Nos Estados Unidos, são usados apenas os imunizantes da Pfizer e da Moderna. No Reino Unido, além desses, é oferecido também o composto da AstraZeneca. No Brasil, até a última sexta-feira, 59% das doses aplicadas no país eram da CoronaVac, produzidos pelo Instituto Butantan, 38% são da AstraZeneca e 3%, da Pfizer. Com a previsão de chegada de novos lotes da farmacêutica americana, é provável que, quando 40% da população brasileira estiver imunizada com esquema completo – patamar atual do Chile – a presença da CoronaVac no total de doses aplicadas caia ainda mais.