Fonte SBT

A entrevista de Joice Hasselmann, concedida ao SBT logo após o suposto caso de agressão vir a público, foi avaliada pelo psicanalista e cientista comportamental Ricardo Ventura.

Com foco na linguagem silenciosa em seu canal Não Minta Pra Mim, Ventura destaca o fato da alegação de Joice de que ela não tem lembrança de nenhum detalhe do ocorrido. De acordo com Ventura, a linguagem corporal de Joice de fato mostra alguém que não se lembra do que aconteceu, a menos que ela esteja escondendo muito bem.

– O que seria estranho, pois ela é a vítima. Ou será que não é? – questiona o perito.

Já na primeira declaração, Ventura observa que Joice já aponta para terceiros. Quando perguntada sobre o que aconteceu, a parlamentar diz “a polícia legislativa vai ter que saber o que aconteceu”.

O que mais chama mesmo a atenção de Ventura, o que ele intitula “bandeira vermelha”, é a questão do marido de Joice, o neurocirurgião Daniel França. Nas entrevistas seguintes, inclusive em uma com a participação do próprio Daniel, o casal sustenta a presença do médico no apartamento, mas em outro quarto, por questões problemáticas de ronco. Na entrevista analisada, no entanto, Joice se esquiva o tempo todo de citar a presença do marido, sempre fugindo do assunto do seu paradeiro na ocasião.

Ela encolhe a boca, engole seco e não relata efetivamente onde está o marido.

Ao contar o que pensou em fazer pela manhã, logo que percebeu que estava ferida, Joice disse que pediu socorro, mas sem informar a quem. A repórter prontamente pergunta se ela estava sozinha, mas fica sem resposta. Quando finalmente introduz o marido na narrativa, Joice diz; “Ele veio me socorrer”. A repórter pergunta se Daniel está em São Paulo, e Joice se esquiva novamente: “Meu marido viaja por todo o Brasil”.

– Ela encolhe a boca, engole seco e não relata efetivamente onde está o marido. Por que ela não diz logo onde está o marido? – indaga o especialista, que aponta o fato de a parlamentar estar muito “serena e tranquila”.

– Ela está tranquila, está serena, não está traumatizada. Está contando um fato que parece, na primeira impressão, que ela não está com medo, não está apavorada. Tem dúvidas, mas também não tem dúvidas homéricas. Está serena e está tranquila – disse.

Ela está tranquila, está serena, não está traumatizada.

Na avaliação de Ventura, no depoimento da deputada, falta um “drama”, que acabou dando lugar a narrativas.

– Ela está muito tranquila, sorrindo, contando. Quer dizer, ela pode ter sido vítima de um atentado de morte ou à integridade e está contando tipo: “Bati aqui e tal”… Não existe um drama, existe uma narrativa. É uma narrativa, é uma jogada.

O especialista encerra dizendo que “perder a consciência” para se afastar do problema não é o melhor caminho, podendo na verdade agravá-lo.

“Com as informações do Pleno News