O vice-prefeito de Teresina e secretário Municipal de Finanças, Robert Rios Magalhães, confirmou a reportagem que a prefeitura vai encerrar os contratos com a ONG do Balé da Cidade e a Associação de  músicos da Orquestra Sinfônica de Teresina (OST).

Rios criticou as gestões e  disse que “a picaretagem acabou”. Ele garante que nenhum artista ficará desassistido e mudará forma de pagamento aos profissionais da cultura.

“A arte é uma coisa, picaretagem é outra. Os músicos da Orquestra de Teresina são da cidade, eles são de responsabilidade do poder público e não de uma associação privada. A Prefeitura repassa R$ 600 mil, a direção fica com o grosso e a associação repassa  migalhas para os músicos”, disse.

Ele confirma que o último pagamento foi realizado hoje e disse que pedirá auditorias nas contas das Organizações Sociais. “Se eu estiver errado, eu volto atrás na minha decisão”.

O secretário reafirma que será mantido o Balé da Cidade e a Orquestra Sinfônica e o que está mudando é a forma de pagamento para as duas entidades.

Robert Rios anunciou que a prefeitura vai encaminhar projeto de lei para a Câmara Municipal aprovar bolsas de R$ 2 mil para cerca de 400 profissionais da cultura de Teresina.

“Queremos uma coisa direita sem atravessadores. Vamos colocar mais dinheiro para os músicos e assim evitar os desvios”, disse.
O secretário de Finanças informou ainda que contadora de uma das entidades ganha R$ 14 mil.

“Durante muitos anos a cultura de Teresina foi explorada por entidades privadas que ficavam com grande parte dos recursos, deixando os artistas com menor parte. Só a contadora de uma dessas entidades, esposa do presidente, ganhava mais que o secretário de finanças do município”, disse Robert Rios em sua rede social.

Repercussão negativa

Artistas teresinenses foram surpreendidos com a informação da suspensão dos contratos.

Com o encerramento dos contratos de gestão, a preocupação de artistas é de que crianças e adolescentes possam ficar desassistidos de projetos sociais de música, dança e teatro na capital.

Além disso, importantes projetos culturais como o Balé da Cidade, que tem quase 30 anos de história, a Banda 16 de agosto e a Orquestra Sinfônica também podem ter as atividades suspensas. No entanto, a prefeitura de Teresina garantiu que nenhum projeto será paralisado. Somente a forma de pagamento é que será revista.

Mãe de dois alunos do Projeto Orquestra Escola, a supervisora de marketing Welma Brasil disse que está revoltada com a possibilidade dos projetos encerrarem.   “Estamos revoltados. Minha filha toca violino e o meu filho violoncelo. De repente tiram isso da gente, é como se fosse uma punição. Estamos revoltados, consternados, é um projeto que tira as  crianças da rua e ensina a tocar um instrumento”, lamenta.

Em nota divulgada, a Prefeitura de Teresina diz que não procede a informação de que irá encerrar projetos culturais. O Executivo Municipal afirma que “passará a adotar uma nova forma de relação com o setor  artístico, com a contratação direta de artistas, sem o intermédio de ONGs e associações”.

O coordenador de Comunicação da Prefeitura de Teresina, Lucas Pereira, adiantou que os artistas serão contratados por meio de cargos comissionados. Segundo ele, as contratações serão feitas logo após a suspensão dos contratos.

A Fundação Cultural Monsenhor Chaves acrescenta que a nova modalidade vai permitir que um número maior de artistas sejam contratados e ressaltou que é “zero” a possibilidade dos projetos serem encerrados.

Críticas

A suspensão dos contratos de gestão está sendo alvo de críticas nas redes sociais. “Acho que irão usar o famoso contrato de cabresto, onde os artistas ficam presos aos políticos. Lamentável”, disse um artista, que prefere não se identificar.

O presidente do Conselho Municipal de Polítiia Cultural se manifestou  sobre o assunto e disse que a entidade também foi pega de surpresa com a notícia da suspensão dos contratos.

“Essa notícia pegou todo mundo de surpresa e todos comentam com espanto e tristeza. Isso representa mais um desmonte em um setor tão abalado com o setor artístico cultural. Em um momento em que os artistas mais precisam ter contratos garantidos, renda garantida, vem uma notícia dessas. É preciso que haja por parte do poder público um movimento exatamente ao contrário, de garantir projetos e espaços, e não uma precarização”, disse o presidente do Conselho, João Henrique Vieira.