A saída de Fausto Silva da Globo causou surpresa. O acerto do apresentador com a Band também. Mas, passado o impacto inicial de tais informações, é possível encarar tal troca com naturalidade.

Faustão, gostem ou não, está entre os grandes nomes da TV brasileira. É também um dos maiores vendedores do meio – e envolve-se em ações de merchandising, articulando as exposições de tais marcas no Domingão. Fausto é e faz o show.

Exatamente por isso, a coluna questiona a “dispensa” da Globo. O canal acenou com a renovação, é fato, em condições que pouco favoreciam o contratado. As mais de três décadas de Faustão na casa, e os muitos ganhos, seriam reduzidas à uma atração nas noites de quinta-feira, horário e dia de prestígio menor e ganhos limitados. Há de se entender, porém, que o canal é quem norteia as mudanças de rota na TV brasileira…

Raramente, vemos a concorrência promover alterações relevantes em formatos ou grades. Evidente que tirar Fausto Silva do domingo é um “tiro no escuro” – principalmente com o substituto óbvio, Luciano Huck, metido em devaneios políticos. O baque pode ser grande, em audiência e faturamento. Mas, diante de qualquer movimento, bem-sucedido ou não, da emissora líder, as outras se mexem… E a Band foi a primeira a tomar um novo rumo.

A volta de Faustão confere status à empresa, perante público e mercado publicitário. No momento em que a Record patina com o alinhamento cada vez mais óbvio de canal e Igreja Universal do Reino de Deus, da linha adotada pelo jornalismo às novelas, e o SBT padece com inconstância de Silvio Santos, a Band surge como opção segura para investimentos. A programação está estabilizada; as finanças parecem mais equilibradas.

Nós da Curto-Circuito, inclusive, recebemos com surpresa o descrédito das redes sociais sobre a mudança de Fausto para a Band. Não há dúvidas quanto ao poder dele entre anunciantes e o meio artístico – o que deve lhe garantir bons convidados. A emissora também demonstra competência em tudo que se propõe a fazer – ainda que tenha dado muitos tiros n’água nos últimos tempos. Da coluna, fica a torcida para que essa parceria encontre o êxito.