A Ferrari protagoniza o início de atividades da F1 em Barcelona. Depois das 170 voltas de Sebastian Vettel no primeiro dia de pré-temporada, hoje foi a vez de Charles Leclerc não só provar a SF90, como também liderar o trabalho dos italianos. O jovem monegasco seguiu aquilo que foi feito pelo tetracampeão e andou muito e muito rápido. Leclerc percorreu 157 voltas e virou na melhor delas 1min18s247 – menos de um décimo de diferença para a marca feito pelo companheiro de equipe ontem.

A equipe de Maranello testou de tudo, da parte aerodinâmica aos long runs, trechos feitos com o carro mais pesado. Leclerc andou tanto com os pneus médios quanto com os macios. E o modelo italiano parece ter nascido muito bem. É estável em curvas e possui grande velocidade de reta. As novidades aerodinâmicas, como as asas maiores, parecem funcionar melhor no carro vermelho, que vem acumulando sem muito problema uma grande quilometragem. Ao todo, nos dois dias de testes, o time andou 326 voltas. E obteve a melhor marca dos dois dias tanto com pneus macios quanto com os médios.

E quem achava que a Mercedes seria a grande rival da Ferrari neste início de semana de testes se enganou. A atual campeã está trabalhando quietinha e discreta. Chama atenção mesmo pela ausência no topo da folha de tempos. Mas é porque optou por um programa de testes voltado para a confiabilidade, ritmo de corrida, avaliação das peças e quilometragem. Embora não tenha os números da Ferrari, a esquadra prateada vem andando de forma consistente, mas nada veloz, ao menos por enquanto.

Mas isso não quer dizer que não estão de olho na concorrência. De fato, a performance da Ferrari espanta e joga uma pulga atrás da orelha dos rivais, principalmente em um ano em que o acerto aerodinâmico será decisivo. “Nós avaliamos muitas possibilidades e filosofias diferentes antes de começarmos, e o grande risco com um novo regulamento é você ignorar uma brecha, uma lacuna enorme, como aconteceu em 2009 [no caso dos difusores duplos]. Nós não vimos nenhuma grande inovação no carro que não tenhamos previsto antes”, disse um Toto Wolff tanto apreensivo em Barcelona, em entrevista acompanhada pelo GRANDE PRÊMIO.

“Dito isso, ainda temos uma menta aberta com relação ao que os demais estão fazendo e vimos todas as possibilidades. Estamos seguindo o nosso caminho e tentando fazer este carro ser rápido. Se identificarmos algo que pode valer a pena desenvolver, então é o que faremos”, completou.

E se a Mercedes não se aproxima da Ferrari, a McLaren toma esse lugar. Surpreendentemente, a equipe inglesa vem em dias raros de alegria – as últimas pré-temporadas foram um pesadelo, quando mal conseguia colocar o carro na pista. Neste ano, a renovada esquadra de Woking esbanja confiabilidade e velocidade. Novamente, brigou na ponta da tabela na parte final da sessão e se colocou mais próxima dos italianos. E coube ao novato Lando Norris a responsabilidade de liderar o time hoje.

O inglês completou 104 giros e ficou a 0s306 de Leclerc.  É bem verdade que o jovem usou o composto dois estágios mais macios para garantir a marca. Ainda assim, é notável o passo à frente dado pela McLaren. Aliás, com esse pneu vermelho, Norris conseguiu o melhor tempo entre os que usaram o composto. Por isso, a frase de Lando ao fim da sessão disse muito o momento vivido pela equipe: “Sei que tivemos problemas nos últimos anos, por isso é importante essa quilometragem, é a meta.” Sem dúvida, o alívio pairou sob Woking.

As ótimas Haas, Toro Rosso e Alfa Romeo também mostraram força. Kevin Magnussen colocou o time americano na terceira colocação e teria feito mais não fosse a quebra do assento, o que possibilitou a antecipação da chance de Pietro Fittipaldi andar com o carro. Já o jovem Alex Albon, apesar da rodada logo com um minuto de treino, soube se recuperar e andou por 132 voltas em um ritmo também surpreendentemente consistente. O mesmo pode-se dizer de Antonio Giovinazzi. A Red Bull e a Renault fizeram boa quilometragem, mas ainda parecem necessitar de um ajuste mais fino. Pierre Gasly acabou tendo de deixar os testes mais cedo por conta de um acidente. Lance Stroll fechou a tabela, deixando no ar um pontinho de interrogação sobre essa estranha Racing Point.

A Williams não andou novamente. A informação é de que o carro chega na madrugada desta quarta-feira, mas que ainda vai levar tempo para prepará-lo, então o carro inglês só deve ganhar o asfalto catalão à tarde – se tudo correr bem por lá. A equipe já atravessa um momento de incertezas e quase crise. Certamente, não é o melhor começo para os britânicos, o que também diminui a expectativa pelo retorno de Robert Kubica.

O GRANDE PRÊMIO cobre ‘in loco’ a pré-temporada da F1 em Barcelona com os repórteres Evelyn Guimarães, Vitor Fazio, Eric Calduch e o fotógrafo Xavi Bonilla. Acompanhe tudo aqui.

Fonte: Grande Premio.