Alto, bonito e em forma, Rodrigo Westermann Malafaia é um colírio para o universo fashion. Modelo desde seus 25 anos, ele largou a faculdade de administração e a vida rotineira para embalar-se nas passarelas, que em pouco tempo já lhe rendeu bons frutos.

Homossexual assumido, em suas redes sociais o respeito ao próximo, a diversidade e a equidade estão sempre em pauta, mas nem sempre foi assim. Nascido em uma família evangélica, que carrega o nome de um líder religioso de grande notoriedade, ao iG Gente ele contou que não foi tão fácil e que resolveu abdicar do nome por considerar o pastor Silas Malafaia “uma pessoa do mal”.

“Foi bem difícil, incômodo e constrangedor [crescer com esse nome]… até porque o meu segundo nome [Westermann] é bem difícil”, iniciou ele, que completou: “Quando eu era criança esse nome não tinha tanta força. Na escola eu não tive problemas”.

“Mas com o tempo eu preferi usar meu outro nome, porque não gosto de ser associado a uma pessoa tão ruim, tão má, que dissemina o ódio…. eu não sei como essa pessoa têm voz, é chocante, ele é uma pessoa do mal”, declarou o rapaz.

Ao falar sobre o relato que divulgou na internet e o que motivou a publicá-lo nas redes, Rodrigo não poupou palavras. “Resolvi publicar esse desabafo porque sempre que acontece alguma coisa pública de igualdade, principalmente, envolvendo homofobia, a gente tenta não se importar e isso machuca… então quando vi o caso do Crivella na Bienal do Livro eu falei: ‘vou escrever um texto’. Pensei em me comunicar, usar um pouco da minha voz.”

Ao falar sobre crescer como um menino gay dentro de uma família evangélica, Rodrigo mostrou que, apesar de ter enfrentado dificuldades, este episódio é uma ferida cicatrizada.

“Foi triste, poderia ter me causado algo pior, eu não poderia mais estar aqui. Eu sinto que sobrevivi sozinho. Eu realmente eu era a ovelha negra da família”.

Detalhando a reação de sua família ao saber sobre sua sexualidade, o rapaz narrou um episódio em que seu pai e seu irmão o mantiveram em um carro em movimento até que ele prometesse que iria mudar, ou seja, agir e tornar-se hétero. “Um terror psicológico horrível”, disse.

Rejeitado e oprimido a ser alguém que não era, o rapaz diz que essa combinação acabou lhe rendendo algumas consequências. “Eu comecei a beber aos 10 anos, aos 13 entrei em coma alcoólico”.

À época morando sob mesmo o teto que seus pais, Rodrigo Westermann diz que tentou agir como seus familiares desejavam, mas que isso não o livrou de ter de fazer terapia com um psicólogo evangélico ou de ir ao culto. “Os pastores oravam para que eu mudasse… e por dentro eu pedia justamente o contrário. Isso foi me consumindo”.

Atualmente bem resolvido e com a vida financeira estável, o jovem tem outra conexão com a religião. “Deus é amor e todos nós somos iguais, esse certo e errado, essa submissão da mulher foi tudo construído pelo homem. Não gosto de religião hoje em dia e nem quero gostar, pois a partir do momento que você fala que algo é errado, não é legal. Para mim, religião não é algo saudável. Tenho minha fé, acredito em Deus, estou muito conectado, mas no final das contas, acreditar em Deus é ser uma pessoa boa e estar bem”.

Após o recente relato ganhar alta repercussão na internet, o sobrenome de Rodrigo tornou-se notório para a imprensa nacional. Silas inclusive chegou a falar sobre o assunto em sua conta do Twitter, onde negou qualquer parentesco com o rapaz.

Em rebate ao pastor, Westermann declarou: “O meu sobrenome é o mesmo que o dele. Procurei saber e que vi que somos parentes, realmente distantes, mas somos”. Ao falar sobre o que achou sobre a resposta de Silas, ele não expressa surpresa.

“Não tenho nenhum problema com isso, é isso que eu realmente espero dele, uma pessoa que vai contra tudo o que eu penso. Se ele vier a favor, aí que vou achar estranho”.

Em seguida o fashion boy completa: “Nunca citei o nome dele, citei o nome de uma família, logo em seguida citaram o nome dele porque ele é polêmico. Só que é verdade, procurei saber e foi difícil, porque o documento estão com pessoas que são próximas dele”.

Questionado se conhecia o líder religioso, o modelo não pestaneja: “Nós não nos conhecemos, o parentesco é realmente distante, mas se continuar dizendo que vai me processar, ele vai acabar me conhecendo”.



CLIQUE AQUI PARA CURTIR A FRON PAGE DA MANCHETENET



*ODIA