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A cidade de Yulin, no sul da China, deu início a seu festival anual de carne de cachorro nesta terça-feira apesar da oposição de ativistas de direitos dos animais.

Os protestos contra o festival tornaram-se globais e o governo chinês cobrou dos políticos locais medidas para manter o evento discreto, para o descontentamento dos moradores de Yulin. O festival, o maior do gênero na China e no mundo, é um dos motores econômicos da cidade.
Milhares de cães devem ser mortos para serem consumidos durante o festival. Neste mês, os ativistas entregaram às autoridades de Pequim uma petição com 11 milhões de assinaturas protestando contra a celebração, que dizem ser cruel. Neste ano, ativistas pretendem comprar os animais expostos no mercado central da cidade para evitar que os cachorros acabem nas grelhas e churrasqueiras durante o festival.
“Os cães sãos os melhores amigos do homem, os mais leais. Como podemos comer nossos amigos?”, questionou Yang Yuhua, um ativista de direitos dos animais que voou de Chongqing, cidade do sudoeste chinês, para comprar alguns dos animais vendidos no festival deste ano. Yang gastou mais de 1.000 iuanes (600 reais) para adquirir dois cachorros enjaulados no mercado. Mesmo com a presença dos ativistas, os vendedores dizem que esperam fazer bons negócios este ano. “São muitas, muitas pessoas que gostam de comer carne de cachorro. É um hábito”, disse o vendedor Zhou.
“O consumo de carne de cachoro na China aumentou nos últimos 30 anos, à medida em que o país enriqueceu, mas não é fácil encontrar esse tipo de carne”, disse à BBC Sam Geall, editor do blog de meio ambiente China Dialogue.
“Viajo pela China há 15 anos e nunca me ofereceram carne de cachorro”, diz ele, acrescentando que, às vezes, festivais como o de Yulin são celebrados para atrair turistas, e não tanto por seu caráter tradicional. Nas últimas semanas, organizações como a CSAPA organizaram vigílias noturnas em cidades do norte do país como Pequim para pedir a proibição do festival.
 
Mas nada impediu que a festividade tivesse início ontem.
A prefeitura da cidade, de acordo com a agência de notícias AFP, tentou se distanciar do evento. “Alguns moradores de Yulin tem o hábito de se reunir para comer lichia e carne de cachorro durante o solstício de verão. É um termo comercial, mas a cidade nunca organizou (oficialmente) um ‘festival de carne de cachorro”, disse o governo local no Sina Weibo, uma espécie de Twitter chinês.
“Com agência Reuters/jornal316