Delegado Luciano Alcântara, Delegacia de Repressão e Prevenção a Entorpecentes (Depre), em Teresina — Foto: Andrê Nascimento/ G1 PI

Áudios interceptados pela Polícia Civil mostram suspeitos de integrarem facções criminosas comentando a preparação para o assassinato de um advogado.

Os áudios foram divulgados pela Polícia após a conclusão da Operação Codinomes, em que 26 suspeitos por diversos crimes foram presos nessa terça-feira (14).

Nas gravações, um homem e uma mulher, cujos nomes não foram revelados, conversam sobre ameaças que estariam sendo feitas contra um advogado, e da intenção de alguém de matá-lo:

“E essas ideias aí que ele tava ameaçando. Diz que tava querendo aí a cabeça do… do…. do ‘gravata’ lá?”, diz o homem.

Para a Polícia, “gravata” seria um código para se referir ao advogado. Em resposta, a mulher nega estar sabendo do fato.

Polícia cumpre mandados no Piauí, Maranhão e São Paulo pela Operação Codinomes.  — Foto: Murilo Lucena/TV Clube

Polícia cumpre mandados no Piauí, Maranhão e São Paulo pela Operação Codinomes. — Foto: Murilo Lucena/TV Clube


Segundo o delegado Luciano Alcântara, da Delegacia de Repressão e Prevenção a Entorpecentes (Depre), a ameaça à vida deste advogado está sendo investigada pela Polícia Civil.

“O advogado provavelmente trabalha para a facção, e pode ter feito algo que eles não concordam. Essa gravação mostra a violência do grupo, que era capaz de se voltar até contra eles mesmos”, comentou o delegado.

Codinomes

Em outra gravação, os suspeitos comentam sobre a chegada de um carregamento de droga, de 20 quilos. Quem receberia a encomenda seria um homem chamado apenas de “Dentinho”:

“Ele pegou e disse assim: Olha, daqui pra domingo vai chegar 20 quilos pra ele e pro irmão Dentinho, não tem?”, diz uma mulher na gravação.

Segundo o delegado Luciano Alcântara, o termo é um exemplo do método dos suspeitos de usarem apelidos para não serem descobertos, nem pelos policiais, nem por membros de facções rivais.

“Eles se utilizam de outros nomes, que podem fazer referência a qualquer coisa: uma fruta, um carro, um personagem, e mudavam constantemente. Houve integrante de facção que mudou até três vezes de codinome”, disse o delegado.

Segundo ele, o método dos criminosos exigiu um amplo trabalho de cruzamento de dados para se identificar suspeitos. “Tivemos que identificar pelas características, por com quem a pessoa tratava, troca de informações com as polícias do Maranhão e de São Paulo. Usamos todo tipo de método de investigação para chegar à certeza”, disse.

Os códigos são usados ainda para tratar dos crimes e dos entorpecentes que os suspeitos negociavam. Na gravação divulgada pela Polícia, os criminosos usam a palavra “leite” para se referir a cocaína, “preta” para maconha e as drogas, em geral, o suspeito chama de “progresso”.


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Fonte:Redação Manchete Net/G1 Piauí