Urgente:Saiba quem é a travesti morta a tiros em Teresina; ‘ativista incansável’

A travesti Paola Araújo, solteira, de 31 anos, que foi morta a tiros no fim da noite desse domingo (06/10), era ativista e defendia políticas públicas e ações em defesa da cidadania de travesti e transexuais em Teresina.

Acadêmica da Universidade Federal do Piauí, turma 2010, Fábio Ribeiro Araújo era incansável contra toda e qualquer forma de discriminação e violência do grupo a qual defendia. Era atuante, vigilante e jamais desistia de lutar. Ela prezava pela felicidade, era assim que ia às ruas para lutar por seus direitos.

A família desconhece qualquer ameaça que a vítima tenha sofrido e acredita que o homicídio foi motivado por transfobia.

“Paola deixa aqui um grande legado de enfrentamento às ações de preconceitos e discriminação que encontrou em seu caminho, teve sua vida ceifada de forma brutal com tiros de arma de fogo”, disse uma companheira de luta, que espera que os culpados pela morte sejam punidos na forma da lei.

Sobre a morte de Paola Araújo

A travesti Paola Araújo foi assassinada a tiros às margens da rodovia BR-316, perto da rotatória que dá acesso ao bairro porto Alegre, na zona Sul de Teresina, no final da noite deste domingo (06/10).

Ainda de acordo com a PM, o crime teria sido praticado por dois homens que estavam em uma motocicleta. A vítima foi atingida por pelo menos três tiros e nenhum objeto pessoal foi levado.

A PM isolou o local do crime e a perícia criminal realizou os procedimentos legais. Após isso, o corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML).

Ainda não há informações sobre a motivação do crime e nem pista dos autores. O caso será investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Antra

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), a qual Paola defendia, é uma rede nacional que articula em todo o Brasil 127 instituições que desenvolvem ações para promoção da cidadania da população de Travestis e Transexuais, fundada no ano de 2000, na Cidade de Porto Alegre.

Em assembleia da Antra realizada em Teresina, em maio de 2009, foi definido que a missão do grupo é “identificar, mobilizar, organizar, aproximar, empoderar e formar travestis e transexuais das cinco regiões do pais para construção de um quadro político nacional a fim de representar nossa população na busca da cidadania plena e isonomia de direitos.”

Casos de homicídios

Segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), o levantamento de homicídios contra vítimas transgêneros em todo o país no ano de 2019, mostra os estados onde mais ocorre esse tipo de crime.

Os dados do mapa ainda apontam que o Ceará é o segundo estado com maior número de casos, seis no total, perdendo apenas para São Paulo, que contabiliza 11 vítimas.

Todos os dados são coletados em grupos de direitos LGBT e informações veiculadas na imprensa.

Os dados foram transformados em um mapa e disponibilizados para facilitar a visibilidade da situação de violência a que transexuais e travestis expostas no país. Por meio dele, é possível visualizar cada caso, o nome da vítima, local e forma do crime.

Lembrando que os dados são públicos e foram compilados através da divulgação na mídia. Os números podem ser ainda maiores pela subnotificação dos casos, quando as nossas identidades de gênero e nosso nome social não são respeitados.

Mapa dos casos de assassinatos de Travestis, Mulheres Transexuais e Homens Trans, no território brasileiro no ano de 2019 contabilizados até 21 de setembro de 2019

Fonte:180Graus